07/08 Senado livra Renan da cassação

Senador José Nery - PSOL (PA)Em votação secreta, o plenário do Senado Federal absolveu o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de quebra de decoro parlamentar por usar dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para o pagamento de pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

Quarenta senadores votaram contra a cassação, 35 defenderam a cassação e 6 parlamentares não votaram.

Renan ainda responde a outros dois processos de quebra de decoro parlamentar que tramitam no Conselho de Ética da Casa. Além delas, o PSOL protocolou em 31 de agosto uma quarta denúncia contra o senador, que trata do suposto desvio de dinheiro público junto a ministérios administrados pelo PMDB.

A senadora Heloísa Helena (PSOL) classificou a absolvição como um “conluio para acobertar o Renan”. Ela disse que o partido vai exigir a continuidade das investigações contra o parlamentar. “Lógico que ficamos constrangidos com um resultado como esses”, afirmou.

Heloisa Helena, em nome do PSOL como partido autor da representação contra Renan, participou da sessão e fez a defesa pela cassação do mandato do senador.

 Senador José Nery lamenta impunidade

O senador José Nery (PSOL/PA) disse que, ao absolver Renan Calheiros (PMDB/AL), o Senado mostrou estar em desacordo com a sociedade brasileira e patrocinando a impunidade. Além do pedido de cassação que foi arquivado nesta quarta, o PSOL também é autor de outras duas representações. Uma delas, que trata de acusações de que Renan teria feito lobby junto ao governo para beneficiar a empresa de bebidas Schincariol, deve ser votada no Conselho de Ética na próxima semana.

A última representação, que precisa de análise da Mesa do Senado, acusa-o de ter, entre outras coisas, comandado um esquema de arrecadação ilícito em ministérios do PMDB.

Principais trechos da entrevista com José Nery

G1 – Durante a sessão, o senhor sentiu que em algum momento o senador Renan Calheiros conseguiu virar o placar?

Nery – O voto estava definido, no geral. Se havia, era apenas uma ou outra indecisão. Os argumentos pela cassação eram mais fortes, mas prevaleceu o corporativismo.
G1 – Dá para identificar quem votou pela cassação?

Nery – Não dá para identificar voto nenhum até porque o processo foi secreto e não dá para adivinhar quem votou contra e votou a favor. Fato é que o resultado é muito ruim para a imagem do Congresso e para a política brasileira que acredita e luta pela justiça, igualdade. Mas a luta não acabou e não desistimos de ir até a última instância que for necessária para que seja feita justiça.
G1- A abstenção foi decisiva ao resultado?

Nery – Foi decisiva porque a votação foi 40 a 35, ou seja os seis votos dariam os votos necessários para a cassação.
G1 – O senhor consegue identificá-las?

Nery – Não dá para identificar porque ficamos muito surpresos com as abstenções. Nós contávamos com votos fechados a favor da cassação. Nós não contávamos que as abstenções fossem tão altas.

G1 – Quais serão os próximos passos?

Nery – Nós vamos chamar as lideranças dos partidos que têm compromisso com a apuração dos fatos e vamos verificar a melhor forma de atuar conjuntamente para que as outras representações possam ter um melhor desfecho, principalmente relacionado com a preservação da instituição, garantia da ética no Senado e dever de justiça. Esses são os desejos da maioria da população brasileira que não aceita mais impunidade, compadrio e impunidade, que é o que vimos hoje.

Fonte: www.ivanvalente.com.br