Renacionalização da SIDOR
/ publicada em 10 de abril de 2008, na seção Opinião
Depois de longas horas de negociação entre o sindicato (SUTISS) , os representantes da transnacional Terminun e o governo nacional na figura do Vice-presidente executivo Ramón Carrizales, a transnacional seguia sem querer reconhecer as justas demandas dos trabalhadores, pretendendo seguir descumprindo as leis venezuelanas.
M. S.: José o que foi que aconteceu?
José Meléndez: Terminun Sidor pretendia continuar fazendo o que vinha fazendo a mais de 15 meses, estes exploradores neoliberais, queriam seguir enganando os trabalhadores e o país descaradamente. Queriam seguir mantendo más de 9.000 trabalhadores em condição de terceirizados, não aceitam fazer modificações na sua proposta salarial que não passam de enganos, proposta que os trabalhadores já haviam rechaçado de maneira contundente no referendo convocado pelo sindicato. Uma coisa inaceitável, de nossa parte, porque estivemos sempre dispostos a negociar, mas não a seguir sendo super-explorados. Chegou à ordem do presidente Chavéz de re-nacionalizar a empresa.
A alegria do povo de Guayan é imensa. Neste momento, agora mesmo são milhões de pessoas festejando nas portas da empresa, que nunca deveria ter sido privatizada.
M.S. Para ser mais preciso: O quê a empresa não queria modificar no acordo?
J. M.: Eles só aceitavam passar para a folha de pagamento de Terminum 600 dos 9000 trabalhadores que vivem trabalhando em condições completamente inseguras, ariscando a vida por um salário miserável, sem saúde, sem segurança no trabalho, praticamente trabalhavam como escravos.
Não quiseram modificar sua oferta salarial de B$f 42.000 exigindo que assinássemos um convenio coletivo de 30 meses, e eles queriam que nossos companheiros aposentados, que deixaram parte de suas vidas ao lado dos fornos, seguissem morrendo de fome com um salário miserável.
Era um verdadeiro engano, que não poderíamos aceitar, é então quando o vive presidente que havia anunciado que não iria suspender a reunião até que houvesse uma solução para o conflito, consulta por telefone o Presidente Chávez e anuncia que a partir desse momento, quando eram apenas um poucos minutos da manha de hoje (quarta feira 9), SIDOR será re-nacionalizada.
M.S Stalin Pérez, como você interpreta esta solução, do ponto de vista dos trabalhadores?
Stalin Pérez: Esta é uma solução pela qual os sidorista e o povo trabalhador do estado Bolivar e do país vinham lutando já há vários anos e sobretudo nas ultimas semanas. Faz anos que companheiros como Elió Sayago, eleito recentemente, diretor laboral pelos trabalhadores e que a empresa queria desconhecer, vem denunciando e que desde nossa corrente é o que vínhamos apontando como saída estratégica para todas as indústrias básicas.
A empresa acreditava que ia ser amparada pelo governo como foi pelo ministro do trabalho, que nunca tentou buscar uma solução favorável para os trabalhadores. Porem se equivocou com nosso povo, equivocou-se ao esquecer que somos “El bravo Pueblo del 13 de abril”, que temos dignidade e que o presidente Chávez soube interpretar este sentimento reclamado nacionalmente. Aqui acompanharemos com a maioria dos trabalhadores e o povo até as ultimas conseqüências qualquer manobra, agressão e campanha internacional que queiram fazer contra esta decisão soberana do Presidente, tal como acabamos de fazer com o caso da demanda da Exxon Movil contra PDVSA. Vão nossas felicitações especiais aos sidoristas, e em nome deles reenviamos nossos agradecimentos a todos os que expressaram solidariedade com eles. Isto vem a ser uma grande lição para todos. Si queremos, podemos e que temos que confiar na força dos trabalhadores e que este processo revolucionário pode ir muito além de onde estamos hoje.
Publicado por impressa de Marea Socialista em 09 de abril e traduzido Antonio Cunha Neto (Psol Brasil)



